sábado, 25 de novembro de 2017

Poema 15

Do que ficou do navio.

Sou pretinha
Do cabelo emboladinho
Sou rainha
No meu reino de carinho
Sou a noite que a lua nao caiu
Sou magia
A verdade é meu caminho
Fui espancada
Fui seqüestrada
Fui estuprada
Minha prole dilacerada
Minha cultura abandonada
Minha raíz marginalizada
Depois de tanta claridade
Minha esperança era um fio
Ainda nos querem no poram
EU VOU DESTRUIR ESSE NAVIO
Que leva pretos e pretas
Que mata crianças de abril
Anciãos de agosto
Meio século de escravidão
Outro meio de desgosto
Ja ta curto meu pavio
Ainda nos querem nesse poram
VAMOS DESTRUIR ESSE NAVIO
Pretos arrastados no asfalto
Como bichos, como lixos
Tina tomiu 15 tiros
Todo mundo sabe, todo mundo vio
Que patria amada e gentil
O cachorro do branco
Sentio o cheiro do preto e saio
Puta pátria que os pario
Ainda nos vêem nesse poram
MAS, EU VOU AFUNDAR ESSE NAVIO...
                                 (Poetiza: Luz Marques)

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